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A Ressurreição de Cristo e a Nossa » Joel Beeke



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A DOUTRINA DE CRISTO — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A NOSSA

Considerando-se a ressurreição de Cristo, três pontos precisam ser expressos: em primeiro lugar, a necessidade da ressurreição; em segundo lugar, as características significativas da ressurreição; e em terceiro lugar, os usos da ressurreição para confortar os filhos de Deus.

A ressurreição de Cristo foi necessária por três razões. Em primeiro lugar, a Sua ressurreição evidenciou uma vitória completa sobre a morte. Para os crentes, a ressurreição confirma que a obediência completa de Cristo foi uma obra tanto de satisfação perfeita, destruindo a morte, quanto de natureza meritória, ganhando a vida. Em segundo lugar, a ressurreição de Cristo foi demandada pela virtude da Sua natureza divina, como o Filho de Deus. Ele próprio é o Autor da vida; por esta causa, não é nem apropriado, nem possível, Ele ser sobrepujado pela morte.

Assim, é imperativo que Cristo levante da morte para a vida. Em terceiro lugar, a ressurreição de Cristo confirmou que Sua obra sacerdotal consistiu de duas partes. Uma delas foi o pagamento por pecados, através do Seu próprio sacrifício na cruz. A outra foi aplicar a virtude deste sacrifício para todo o crente. Portanto, Cristo ressuscitou parar completar esta segunda parte do Seu sacerdócio, em favor do Seu povo.

A ressurreição de Cristo teve características significativas. Em primeiro lugar, Ele ressuscitou como uma pessoa pública, permanecendo no lugar do Seu povo não apenas na morte, mas também na ressurreição. Consequentemente, quando Cristo ressuscitou, toda a igreja ressuscitou Nele (Efésios 2:6). Em segundo lugar, Cristo, por Seu próprio poder, ressuscitou a Si mesmo dos mortos (João 2:19; 10:18). Isto demonstrou que Ele não foi apenas homem, mas também verdadeiro Deus. Além disso, isto exibiu o poder de Cristo parar ressuscitar também a Sua igreja, da morte para a vida. Em terceiro lugar, Cristo ressuscitou com um terremoto. Isto foi para provar que ele não perdeu nenhum poder por causa da morte, mas que Ele ainda permanece o absoluto Senhor do céu e da terra, diante do qual a terra tremeu.

Em quarto lugar, a morte e ressurreição de Cristo foram acompanhadas por outras maravilhas também. Por exemplo, Mateus 27:52-53 declara que os sepulcros foram abertos e muitos corpos ressuscitaram. Isto ocorreu para que a igreja possa saber que há uma virtude renovadora e vivificadora na ressurreição de Cristo, por meio da qual Ele é capaz de ressuscitar aqueles que estão mortos em pecado, para a novidade de vida. Isto exprime a ordem de tudo: Cristo ressuscitou, e então os santos depois Dele; portanto, Ele é o primogênito de entre os mortos, com muitos para ressuscitar após Ele (Colossenses 1:18).

Isto direciona para o uso da ressurreição no conforto dos filhos de Deus. Estes confortos são três. Em primeiro lugar, a ressurreição de Cristo serve para a justificação de todos os que Nele creem (Romanos 4:25). De fato, a vida foi o próprio salário que Ele foi enviado para ganhar; portanto, sendo reconciliados mediante a Sua morte, muito mais seremos salvos pela Sua vida (Romanos 5:10). Em segundo lugar, a ressurreição de Cristo é o meio notável pelo qual Deus opera santificação (1 Pedro 1:3; Romanos 6:4-5). Como Cristo, pelo poder da Sua Divindade, libertou a Sua humanidade da morte e da culpa dos nossos pecados, então também Cristo libertou o crente da corrupção da natureza em que ele residia na morte – “se vivemos, para o Senhor vivemos” (Romanos 14:8).

Em terceiro lugar, a ressurreição de Cristo revela a ressurreição da igreja. Aquele que ressuscitou a Cristo dos mortos, “vivificará também o vosso corpo mortal” (Romanos 8:11). Por isso, Cristo é chamado de “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20). Sua ressurreição é o penhor e a segurança da ressurreição da igreja. Ele é o cabeça da Sua igreja; portanto, todos os Seus membros devem segui-lo, em seu tempo. Os piedosos ressuscitam pelo poder de Cristo, seu Redentor, que os ressuscita para que eles sejam participantes dos benefícios da Sua morte (Hebreus 3:14), que são desfrutar, em corpo e alma, o reino dos céus que Ele afetuosamente trouxe para eles. Os piedosos ressuscitam, como Cristo, pela virtude da própria ressurreição de Cristo. Eles ressuscitam, como Ele, para a glória eterna.

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Adaptado à partir da obra “Crist’s Ressurrection”, contida em “An Exposition of the Symbole or Creed of the Apostles”, de William Perkins (1558-1602).

​Vigésimo nono artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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