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O Chamado do Grande Sumo Sacerdote e a Necessidade de um Mediador

  • Foto do escritor: Os Puritanos
    Os Puritanos
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A essência da verdadeira religião repousa na absoluta necessidade de um mediador entre Deus e o homem. Antes da queda, no Éden, o homem desfrutava de comunhão direta com o Criador, mas a entrada do pecado instaurou uma profunda e terrível ruptura. É exatamente neste cenário de distanciamento e condenação que a figura do sacerdote se torna vital. Na exposição de Hebreus 5:1-4, somos confrontados com a glória de Jesus Cristo não apenas como um sacerdote comum, mas como o nosso Grande Sumo Sacerdote, superior a Arão e perfeitamente qualificado para nos reconciliar com Deus.

Homem ajoelhado em oração numa trilha de montanha ao pôr do sol, com mochila, diante de picos nevados.
Homem em oração solitária no alto de uma montanha, cercado por magníficas paisagens alpinas.

A Necessidade de um Mediador Humano

A Escritura estabelece que todo sumo sacerdote deve ser "tomado dentre os homens". Essa exigência elimina a possibilidade de um anjo exercer tal ofício. Os anjos caídos não têm redenção, e os anjos eleitos não compartilham da nossa natureza, sendo incapazes de simpatizar plenamente com as fraquezas humanas. Cristo, para atuar como nosso representante e ser capaz de nos socorrer, assumiu a verdadeira humanidade. Como o reformador Martinho Lutero bem observou, não basta crer que Cristo foi instituído como mediador da humanidade; é preciso que o cristão creia individualmente que Jesus é o seu representante pessoal diante da corte celestial. O papel deste sumo sacerdote é tratar das coisas concernentes a Deus, não buscando glória própria, mas servindo no lugar de seus irmãos.

Sacrifícios Pelos Pecados e Compaixão

O trabalho central do sumo sacerdote na Antiga Aliança, em especial no grande Dia da Expiação, era oferecer dons e sacrifícios pelos pecados do povo e pelos seus próprios. O sangue do cordeiro era derramado e o bode emissário levava as transgressões da congregação para o deserto. Contudo, esses sacerdotes eram pecadores, rodeados pelas mesmas depravações do povo, o que lhes permitia condoer-se dos ignorantes e daqueles que erravam.

Em contraste absoluto, a fraqueza de Cristo não envolvia qualquer pecaminosidade. Ele assumiu a nossa natureza e foi tentado em tudo à nossa semelhança; experimentou fome, sede e profunda angústia de alma, mas jamais cometeu pecado. Se Ele tivesse falhado em apenas um ponto, não haveria salvação para nós. A Sua vitória infalível sobre a tentação garante que o Seu sacrifício perfeito purifique não apenas os pecados que cometemos de forma consciente, mas também os nossos erros e os temíveis pecados de ignorância. Com uma única oferta, Ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados.

Um Ofício de Serviço, Não de Honraria

O autor da carta aos Hebreus nos lembra de que ninguém toma a honra do sacerdócio para si mesmo, senão quando é chamado por Deus, como ocorreu com Arão. A trágica história da rebelião de Corá, Datã e Abirão, registrada no livro de Números, ilustra o severo juízo divino sobre aqueles que tentam usurpar um ofício sagrado movidos por ambição e soberba. O bordão de Arão que floresceu perante o Testemunho foi a prova cabal de que o sacerdócio é uma vocação exclusiva e divina. O ministério pastoral e a liderança do povo de Deus, portanto, não são posições de status, ostentação ou de uma vida ociosa, mas representam um chamado ao sacrifício e ao trabalho árduo e humilde.

Aplicações Práticas: O Sacerdócio na Igreja e no Lar

Esta profunda realidade teológica traz implicações diretas e transformadoras para a nossa vida. Na esfera da igreja, os pastores e presbíteros não podem se autodeclarar em seus ofícios. Eles devem ser primeiramente chamados por Deus, possuir aptidão e destreza para o ensino das Escrituras e ser devidamente reconhecidos pela congregação, dedicando-se ao rebanho com o mesmo espírito de servo do próprio Cristo.

No âmbito familiar, os maridos são convocados a exercer um firme sacerdócio espiritual. O apóstolo Paulo ordena que os maridos amem suas esposas como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. Esse amor deve ser intencional, sacrificial e exclusivo, gerando segurança no coração da esposa e servindo de espelho para os filhos. Além disso, assim como o patriarca Jó se levantava de madrugada para oferecer sacrifícios por sua família, os pais cristãos devem interceder com urgência, perseverança e temor por seus filhos. E podemos realizar essa monumental tarefa com confiança, pois não estamos sós: temos o contínuo amparo do nosso Grande Sumo Sacerdote, que intercede incansavelmente por nós com base no Seu sangue.

O Chamado do Grande Sumo Sacerdote e a Necessidade de um Mediador. Este artigo é um resumo adaptado da pregação do Pr. Paulo Brasil sobre Hebreus 5:1-4, realizada na Igreja Presbiteriana da Aliança, Recife. 📚 APROFUNDE SEUS ESTUDOS: Literatura reformada e puritana do mais alto nível? Conheça nossos livros publicados na Amazon: https://link.amazon/B01zQl99B

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SOBRE OS PURITANOS

 

O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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