O Risco da Estagnação Espiritual: O Chamado ao Amadurecimento e ao Discernimento Teológico
- Os Puritanos

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Introdução
A vida cristã não foi designada por Deus para ser vivida em um estado de estagnação. O alvo da redenção é que os crentes sejam conformados à imagem do Filho de Deus, o perfeito varão, conforme ensina Romanos 8:28. Cristo, nosso Sumo Sacerdote, aprendeu a obediência e foi aperfeiçoado no sofrimento para socorrer o Seu povo. Assim, não cabe na linguagem da salvação a inércia espiritual. No entanto, o autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 5, versículos 11 a 14, faz uma solene exortação pastoral a crentes que, em vez de avançarem na doutrina, estavam retrocedendo. Ao analisar essa advertência, a Igreja é chamada a avaliar a sua própria caminhada: os cristãos estão crescendo na graça e no conhecimento bíblico, ou se tornaram tardios em ouvir?

O Perigo de se Tornar "Tardio em Ouvir"
Ao expor a glória de Cristo como Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, o autor sagrado faz uma pausa na carta. Ele afirma que há verdades difíceis de explicar, não porque pertençam a um misticismo esotérico ou exijam um intelecto superior da congregação, mas porque os ouvintes haviam se tornado "tardios em ouvir" (Hb 5:11). Essa condição aponta para uma fragilidade espiritual adquirida. Pela falta de exercício na piedade, aqueles crentes estavam se assemelhando aos ídolos descritos no Salmo 115 e pelos profetas Isaías e Ezequiel: possuem ouvidos, mas não ouvem; têm olhos, mas não veem.
Quando a Igreja negligencia a instrução doutrinária contínua, ela regride. É vital o resgate de práticas históricas e puritanas, como a meditação constante nas Escrituras, para que a Palavra governe a mente em todas as circunstâncias. Além disso, a catequese no lar é inegociável; crianças instruídas nos catecismos desde a tenra idade têm suas mentes moldadas para pensar teologicamente, tornando-se adultos capazes de compreender as profundezas da verdade divina. A ausência de instrução sólida empurra a congregação de volta aos princípios elementares, como se fossem eternos necessitados da classe de alfabetização espiritual.
Inexperientes na Palavra da Justiça
A exortação bíblica prossegue demonstrando que aqueles que já deveriam ser mestres, pelo tempo decorrido na fé, necessitavam novamente de leite espiritual (Hb 5:12). O texto sagrado declara que "todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça" (Hb 5:13). Teologicamente, a "palavra da justiça" aponta para a doutrina fundamental da justificação: Cristo como a única sabedoria, santificação e justiça do povo de Deus (1 Co 1:30).
O apóstolo Paulo exulta em não ser achado com sua própria justiça, mas com a justiça que provém de Deus pela fé no Redentor (Fp 3:9). A imaturidade espiritual fatalmente conduz o homem à autojustificação. Durante a exposição do texto, foi relatado o trágico exemplo pastoral de uma fiel no sertão que, à beira da morte por um câncer, ainda aguardava ser recebida por Deus com base em suas próprias obras e méritos. Sem uma dieta teológica sólida acerca da Pessoa e Obra de Cristo, a alma perde o seu consolo genuíno, e a igreja abre portas para superstições.
Alimento Sólido e Discernimento Teológico
O alimento sólido, por sua vez, "é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal" (Hb 5:14). No contexto desta epístola, discernir o bem e o mal não se limita a um código de conduta ética. Trata-se de profundo discernimento teológico. É a capacidade madura de distinguir entre a sã doutrina e o falso ensino; entre o verdadeiro Evangelho e a idolatria.
Os crentes originais destinatários da carta estavam sendo tentados a retornar às práticas judaizantes, abandonando a suficiência de Cristo. A falta de discernimento cega os olhos para perigos mortais. Exercitar as faculdades espirituais pela prática significa olhar firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da fé (Hb 12:2), dependendo dEle para correr a carreira cristã sem desfalecer nas horas de aflição.
Conclusão
A maturidade cristã exige instrução intencional e reverente apego às Escrituras. Pais devem instruir seus filhos; maridos devem ensinar suas esposas; mulheres mais velhas devem orientar as mais jovens na sã doutrina (Tito 2). Se, ao sondar as Escrituras, a igreja percebe que tem sido negligente e tardia em ouvir, não deve se desesperar, pois há esperança inabalável no Evangelho. O mesmo Cristo que ordenou ao morto Lázaro: "Vem para fora!", tem o poder soberano e vivificador para abrir os ouvidos do Seu rebanho, curar a estagnação espiritual e conduzir os Seus à plena maturidade teológica para a glória do Seu Nome.
O Risco da Estagnação Espiritual: O Chamado ao Amadurecimento e ao Discernimento Teológico. Este artigo é um resumo adaptado da palestra do Dr. Joel Beeke sobre [Hebreus 5:11-14 e o Risco da Estagnação Espiritual], ministrada com tradução do Pr. Rodrigo Brotto. 📚 APROFUNDE SEUS ESTUDOS: Literatura reformada e puritana do mais alto nível? Conheça nossos livros publicados na Amazon: https://link.amazon/B01zQl99B




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