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O Amor e a Justiça de Deus » Joel Beeke



A DOUTRINA DE DEUS — O AMOR E A JUSTIÇA DE DEUS

O amor de Deus é a peculiar benevolência que Ele possui como o próprio Deus de amor (1 João 4:8). O seu amor intra-trinitariano é o deleite que Deus tem em Si mesmo (cf. João 5:20). Esta é a base do amor que Deus expressa para Suas criaturas, o qual pode ser classificado como geral, ou especial. O primeiro, está relacionado ao desejo de Deus em abençoar todas as Suas criaturas (Salmos 145:9), enquanto o último tem os eleitos particularmente como seu objeto (João 3:16; Efésios 5:25). Este é o deleite paternal especial de Deus em Seus eleitos, conforme eles são visualizados através das lentes de Cristo, propriamente dito (João 16:27; Colossenses 2:10). Este amor faz com que os eleitos sejam aceitos, em nome do amado Filho de Deus (Efésios 1:4-6). Redenção apontada, redenção cumprida, e redenção aplicada, tudo a partir do imutável amor do Deus triúno, que nunca cessa (Lamentações 3:22; cf. Romanos 5:8; 1 João 4:10).

A justiça ou retidão de Deus é a Sua contínua perfeição e permanência de acordo com o padrão do que é puro e correto – que é Ele mesmo. Exercitada nas Suas criaturas, a justiça de Deus consiste na execução de julgamento, tanto para recompensa quanto para punição, de acordo com o que é merecido, e determinado pelo padrão da Sua santa lei. Todos as Suas obras são justas (Gênesis 18:25; Salmos 7:9).

A justiça de Deus é completamente retributiva, quer seja na Sua recompensa ou na Sua punição. Isto se opõe à justiça da troca mútua ou justiça remunerativa. Como as obras do homem são vis e imundas (Isaías 59:2-12; Romanos 3:10-18), não pode haver correlação apropriada entre as obras do homem e a remuneração de Deus. Deus nunca é constrangido ou está em débito com quem quer que seja; ao invés disso, Ele executa Sua justiça de acordo com a Sua norma perfeita.

Além disso, como Ele age não em resposta ao homem, mas de acordo com a Sua própria vontade, Deus é justo tanto na condenação de uns (Romanos 2:5-6; Salmos 51:4; 119:137; Naum 1:2-3), quanto na libertação de outros (Romanos 3:21-22). “Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo” (Deuteronômio 32:4).

O amor e a justiça de Deus não são incompatíveis; ambos são naturais a Ele em um grau superlativo. O amor de Deus é sempre exercitado nos limites da justiça, e Ele sempre faz cumprir a Sua justiça de forma amorosa. Seu amor é completamente justo, e Sua justiça é inteiramente amorosa – esta é a natureza de Deus.

Isto significa que, por um lado, enquanto Ele é amoroso, Deus não irá suportar que o homem pise em Sua santa lei. Permitir que a propagação do pecado continue não é amor. Ele deve, e irá punir o pecado plenamente. Isto deveria produzir temor de pecar contra um Deus justo que “aborreces a todos os que praticam a iniquidade” (Salmos 5:5-6). Diante da justiça de Deus, o homem precisa espontaneamente temer e tremer, permitindo que o terror do Senhor o motive a buscar a remissão pelos seus grandes pecados, no sangue de Cristo.

Por outro lado, isto significa que Deus, dentro da Sua justiça, exercita Seu maravilhoso amor através de Seu Filho, Jesus Cristo. Nós vemos o amor do Pai, ao enviar o Filho; o amor do Filho, ao suportar os pecados do Seu povo; e o amor do Espírito, ao aplicar os benefícios da salvação. Todas as três Pessoas exercitam a profundidade do eterno, soberano, infinito e imutável amor. Nenhum homem, quando contempla a sua fonte, pode senão ficar cativado em espanto e admiração pelo amor majestoso do santo Deus.

O amor e a justiça de Deus são melhor compreendidos ao se observar os contornos do evangelho. Ali, Deus mostra publicamente Sua justiça (Romanos 3:21-26) e demonstra Seu amor (Romanos 5:8). A cruz do Calvário é aonde o amor e a justiça de Deus se encontram (Salmos 85:10). Em Cristo, a justiça de Deus não está contra, mas a favor do Seu povo. O povo de Cristo está tão completamente unido a Ele, que a justiça de Deus não irá permitir que eles recebam nada além do que é a recompensa de Cristo: a vida eterna na glória. Adicionalmente, em Cristo, o amor de Deus é irrestrito em conceder Suas dádivas (Sofonias 3:17; Tiago 1:17). O exercício da Sua justiça e do Seu amor acontece simultaneamente no evangelho, ambos para a glória de Deus e para o bem do Seu povo.

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Nono artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

Adaptado à partir da obra “The Christian’s Reasonable Service” (vol.1, capítulo 3), de Wilhelmus à Brakel (1635-1711). * The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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