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Os Ofícios de Cristo » Joel Beeke



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A DOUTRINA DE CRISTO — OS OFÍCIOS DE CRISTO

Cristo se comprometeu com a Sua obra, no intuito de obter a salvação para o Seu povo (1 Timóteo 1:15). Tanto a vocação quanto os componentes do Seu ofício são dignos de serem considerados. A vocação é uma ação de Deus, o Pai, através da qual Ele vincula o seu disposto Filho aos Seus ofícios, através de um pacto eterno (Salmos 110:4; Isaías 53:10; Lucas 22:22; Atos 4:28; Hebreus 5:4,6; 7:24). Isto envolveu escolher os fins (Isaías 42:1), predestinar os meios (1 Pedro 1:20), e enviar o Filho (João 3:17).

Existem três componentes no ofício de Cristo (alternativamente denominados de três ofícios distintos). Em primeiro lugar, Cristo exerce o ofício de Profeta (Deuteronômio 18:15). Através deste componente, Ele revela perfeitamente a plena vontade de Deus. Este ofício tem vários nomes: Cristo é um Mestre (Mateus 23:7-8), o Apóstolo da nossa confissão (Hebreus 3:1), o Anjo da Aliança (Malaquias 3:1), o Verbo de Deus (João 1:1), a própria Sabedoria de Deus (1 Coríntios 1:24), e os Tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2:3).

Para ser o perfeito Profeta, Cristo tinha que ser tanto Deus quanto homem. Foi necessário para Ele ser Deus, para alcançar a compreensão e o ministério perfeitos da vontade de Deus (João 1:18; 3:13; 1 Coríntios 2:11,16). Se ele não tivesse sido homem, Ele não poderia ter devidamente declarada esta vontade para o homem, através da Sua própria pessoa (Hebreus 1:1-2).

Em segundo lugar, Cristo exerce o ofício de Sacerdote. O Seu sacerdócio é segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:17) e, portanto, é indestrutível (Hebreus 7:16); estável e perfeito (Hebreus 7:18-19); eterno (Hebreus 7:24); e perpétuo, não deixando nenhum espaço, ou não tendo nenhuma necessidade por outros sacerdotes (Hebreus 7:24-25).

Na execução do Seu ofício sacerdotal, Cristo é o Sacerdote, o sacrifício, e o altar. Ele é o nosso Sacerdote, em ambas as Suas naturezas (Hebreus 5:6). Ele foi o sacrifício, principalmente em Sua natureza humana; as Escrituras atribuem o Seu sacrifício primariamente ao Seu corpo (Colossenses 1:22; Hebreus 13:12; 1 Pedro 2:24) e sangue (Colossenses 1:20). Contudo, este sacrifício se tornou eficaz por causa da natureza divina de Cristo, como o próprio Filho de Deus (Atos 20:28; Romanos 8:3) – o que é corretamente compreendido de acordo com a ideia do altar (Hebreus 9:14; 13:10,12,15). A função do altar é a de santificar a oferta, garantindo-lhe uma dignidade além de si mesma (Mateus 23:17). Nisto é demonstrada a razão pela qual Cristo, como Sacerdote, teve que ser tanto Deus quanto homem: se Ele não fosse homem, Ele não poderia ter feito expiação pelo homem; se Ele não fosse Deus, o sacrifício não teria sido suficiente.

Em terceiro lugar, Cristo exerce o ofício de Rei (cf. Deuteronômio 17:14-20). O Seu reino é alternativamente chamado de reino de Deus, o reino de paz e glória, o reino de luz e glória, o reino dos céus, e o mundo vindouro. No Seu reino, o governo de Cristo está no Seu poder para dispensar e administrar, com força e autoridade, todas as coisas pertencentes à salvação do homem (Salmos 2:6; Daniel 2:44; Lucas 4:36). Este reinado é universal; isto é, ele engloba todas as eras, sendo eterno (Daniel 2:44; 7:14; Mateus 22:43-45). O governo de Cristo está acima de todos os homens (Daniel 7:14; Apocalipse 17:14) – e até mesmo sobre todo o mundo e suas criaturas (Efésios 1:21,22). Cristo governa tanto a atividade exterior quanto a interior do homem (Romanos 14:17), distribuindo tanto a vida eterna quanto a morte (Apocalipse 1:18). Para os herdeiros do reino, Cristo, como Rei, traz a grande paz e a mais perfeita alegria (Isaías 9:6; Efésios 2:16; Hebreus 7:2). Novamente, é necessário que Cristo seja Rei tanto como Deus, quanto como homem: como Deus, com o intuito de que Ele possa ser o Rei espiritual de nossas almas, distribuindo a vida eterna e a morte; como homem, para que Ele possa ser o Governante da mesma natureza do Seu corpo.

O ofício triplo de Cristo anuncia três verdades. Na primeira, ele identifica o estado do homem e como ele é remediado em Cristo. O homem sofre debaixo da ignorância, o que é resolvido pelo ofício profético de Cristo; habita na alienação em relação a Deus (esta comunhão é restaurada pela obra sacerdotal de Cristo); e não possui nenhum poder para viver uma vida santa (esta falta é retificada pela realeza de Cristo). Na segunda, o ofício triplo de Cristo revela a maneira pela qual a salvação é trazida para o homem. Ela é pregada por Sua profecia; obtida por Seu sacerdócio; e aplicada pelo Seu reinado. Finalmente, o ofício triplo expõe que a salvação é realizada por Cristo. Cristo primeiramente ensinou aos outros a vontade de Deus, e então ofereceu a Si mesmo, e finalmente entrou para governar em Seu reino.

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Adaptado à partir da obra “The Marrow of Theology, 1.19”, de William Ames (1576–1633).

​Vigésimo quinto artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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