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A Encarnação de Cristo » Joel Beeke



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A DOUTRINA DE CRISTO — A ENCARNAÇÃO DE CRISTO

Enquanto pronunciava a Sua maldição sobre Adão e Eva, por causa do seu pecado, Deus prometeu prover para eles um Salvador, nascido dentre os seus próprios descendentes, e que iria sofrer nas mãos do inimigo das suas almas, mas que no final, iria esmagar este inimigo debaixo dos seus pés e libertar o seu povo do poder dele (Gênesis 3:15). Este Salvador precisa ser “a semente da mulher”, possuindo uma verdadeira natureza humana. Apenas como um homem, dentre os seres humanos, Ele poderia se levantar como o nosso campeão e confrontar o Diabo, para destruir a ele e a todas as sua obras (1 João 3:8).

Conforme o tempo passou, muitas promessas foram adicionadas a esta primeira. O Salvador precisa ser “a semente de Abraão”, no qual todas as nações seriam abençoadas (Gênesis 22:18). Ele precisa vir de Jacó, como uma estrela que aparece no céu da noite, para governar entre as nações, e levantar-se de Israel, como um cetro nas mãos de Deus (Números 24:17). Ele precisa ser erguido dentre os Seus irmãos Israelitas como um profeta, a exemplo de Moisés (Deuteronômio 18:15-19). Ele precisa ser um “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Salmos 110:4). Ele precisa ser descendente de Davi, e sentar no seu trono para reinar como Rei: “O SENHOR jurou a Davi com firme juramento e dele não se apartará: Um rebento da tua carne farei subir para o teu trono” (Salmos 132:11).

Estas promessas afirmaram que o Salvador do povo de Deus precisa ser um homem verdadeiro, pertencente a uma nação, tribo e família específicas. Outras promessas indicaram que este verdadeiro Filho do homem também seria o Filho de Deus: “Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei” (Salmos 2:7); e “Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação. Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra” (Salmos 89:26-27).

Paulo anuncia o tempo em que as duas vertentes de promessas encontraram um cumprimento comum, no advento de Cristo como o Deus-homem: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4).

João introduziu o Filho de Deus como “o Verbo”, existindo desde toda a eternidade e preexistindo antes da criação, sendo “com Deus”, como uma Pessoa distinta da Trindade, e sendo Ele propriamente Deus (João 1:1-2). Ele então fala simplesmente, “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Os teólogos, portanto, falam da encarnação do eterno Filho de Deus. João acrescenta, “cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. João sabia que cada Cristão é um filho de Deus por adoção, em nome de Jesus (João 1:12), mas que apenas Cristo é o eterno e natural Filho de Deus.

Levou muitos séculos parra a igreja compreender todas as implicações da encarnação. No final, teólogos ortodoxos concluíram que nós devemos afirmar igualmente que Cristo é Deus e que Cristo é homem. Diminuir uma natureza, ou a outra, significa um erro fatal. Estas duas naturezas existem em uma Pessoa: “O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só Cristo” (Credo de Atanásio, artigo 34).

Como Deus, Cristo é mais poderoso do que todas as criaturas; Ele contou com o poder da Sua Divindade para suportar o peso da ira de Deus. Como homem, Ele é como um daqueles pelos quais Ele concedeu a Sua vida, “em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos… foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 2:17; 4:15). Na mesma natureza humana que pecou, Cristo fez compensação pelo pecado. Portanto, é necessário que Cristo seja tanto Deus quanto homem. Quando Cristo assumiu a nossa natureza, a partir da carne e sangue da Virgem Maria, Ele conferiu grande honra a ela. Na ascensão de Cristo, aquela mesma natureza humana foi levada aos céus, como uma garantia certa de que Ele irá, a tempo devido, tomar todas as Suas crianças para Si mesmo.

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​Vigésimo sexto artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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SOBRE OS PURITANOS

 

O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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