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A Eleição » Joel Beeke



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A DOUTRINA DA ELEIÇÃO — A ELEIÇÃO

A eleição é o decreto de Deus, da Sua própria livre vontade, pelo qual Ele predestinou alguns seres humanos para a salvação, para o louvor da glória do Seu nome (Efésios 1:4-6; 1 Tessalonicenses 5:9). Longe de ser uma doutrina tangencial, a eleição é fio dourado que percorre todo o sistema Cristão. Além disso, a eleição é amigável aos pecadores, e, portanto, uma doutrina muito abençoada.

A eleição é a escolha positiva de Deus, pela Sua soberania absoluta e graça majestosa, para amar e salvar algumas pessoas (Romanos 9:13-26; 1 Tessalonicenses 5:9). A eleição de Deus não é, de forma alguma, universal ou geral, pois Deus não ordenou que toda a humanidade fosse reconciliada com Ele. Ao invés disso, aqueles a quem Ele conheceu de antemão, Ele predestinou (Romanos 8:29). Aqui, o termo “conheceu de antemão” é usado no sentido de escolher as pessoas (1 Pedro 1:2; cf. Romanos 11:2). Como muitos atribuíram erroneamente o conhecimento divino da futura fé do homem como a causa do decreto de Deus, é essencial notar que a sábia presciência de Deus é tanto livre quanto logicamente (em contraste com temporalmente) subordinada à Sua ordenação intencional. Antes da fundação do mundo, Deus destacou e designou algumas pessoas para a salvação (2 Tessalonicenses 2:13). Ele não designou aqueles a quem Ele soube de antemão que iriam ser conformados a Cristo; ao invés disto, aqueles a quem Ele conheceu de antemão (ou “escolheu favoravelmente”), Ele predestinou para serem conformados à Sua própria imagem.

Jesus Cristo é o pleno fundamento da eleição. Cristo foi chamado por Seu Pai, desde toda a eternidade, para realizar a obra da salvação do Seu povo (Hebreus 5:5; 7:22; 13:20). Na eleição para realizar a obra da salvação, Cristo não está subordinado ao Pai, no que diz respeito ao decreto em si mesmo, uma vez que Ele decretou todas as coisas com o Pai (João 15:16); ao invés disso, Ele se tornou subordinado em sua execução, através da Sua servidão e humilhação (1 Pedro 1:20).

A eleição não pode nunca ser separada de Cristo, pois o eleito possui esta condição (ou “status”) apenas em Cristo. Além disso, a eleição é tão proximamente ligada a Cristo que, para se compreender a verdadeira da própria eleição, é preciso olhar para o ordenamento do Mediador (Isaías 42:1; Hebreus 9:15). Esta é a causa pela qual qualquer um que está se esforçando para compreender esta doutrina, precisa ser trazido para olhar a eleição particularmente em Cristo, pois Nele estão todos aqueles que são escolhidos de Deus (Efésios 1:4). O crente é escolhido em Cristo, como a Sua própria herança (Deuteronômio 32:9; Salmos 2:8; Hebreus 12:2; cf. João 6:39; 17:16; Efésios 1:11; 1 Pedro 2:6,9).

O pacto da graça é o meio da eleição. Ele é o contrato de Deus com o Seu povo, em Cristo, com respeito à vida eterna. Neste pacto, Deus promete Cristo gratuitamente para o Seu povo, que recebem os benefícios de Cristo, mediante arrependimento e fé (Ezequiel 36:25-27; Oséias 2:18-20; Malaquias 3:1).

Os graus de execução são o trabalho da eleição na vida do crente. Estes são os passos pelos quais Deus coloca em ação o Seu amor eterno (cf. Atos 13:48). Para aqueles a quem Deus elegeu para herdarem a vida eterna, Ele também designou os meios subordinados pelo quais, em etapas, eles vão alcançar o seu fim ordenado (Efésios 1:4-5; 2 Tessalonicenses 2:13; cf. João 6:37; Efésios 2:8-9). Sem estas etapas, através das quais Deus coloca em ação o Seu amor eterno, a salvação seria impossível de ser obtida Romanos 8:29-30). Em termos gerais, estas etapas são conhecidas como “vocação eficaz”, “regeneração”, “justificação”, “santificação”, e “glorificação”. Portanto, a salvação que funciona experiencialmente na alma do crente, é inseparável da eleição soberana em Cristo.

Tristemente, algumas pessoas veem a eleição como uma “pedra de tropeço” para virem à Cristo, por fé. Infelizmente, a preocupação primária delas não é “Será que eu tenho a Cristo?”, mas sim “Será que eu sou um eleito?”. Baseadas nesta perspectiva distorcida, tais pessoas têm visto a eleição através de lentes complicadas. É preciso reconhecer que a eleição é impossível de se verificar à parte do receber da salvação, por fé, sobre os quais, conjuntamente com as obras resultantes, a eleição é tornada segura (cf. 2 Pedro 1:10). Além disso, como Cristo declara para todos os pecadores, “Arrependa-se e creia, e serás salvo”, a questão não é o “status” de alguém, pois todos são pecadores. “pecadores sedentos” (Isaías 55:1); “pecadores dispostos” (Apocalipse 22:17); “pecadores sobrecarregados” (Mateus 11:28); “pecadores adúlteros” (Jeremias 3:1); “pecadores perdidos” (Lucas 19:10); e, sim, até mesmo o “principal dos pecadores” (1 Timóteo 1:15). Para todos o Senhor declara, “A vós outros, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens” (Provérbios 8:4). Portanto, como a vontade do Senhor é que nenhum pereça, mas que todos venham ao arrependimento, “arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15).

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Adaptado à partir da obra “A Golden Chaine, chs. 15,31,35-38,48”, de William Perkins (1558–1602).

​Trigésimo primeiro artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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