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A Fé em Deus » Joel Beeke



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A DOUTRINA DA ELEIÇÃO — A FÉ EM DEUS

A fé é o repouso do coração em Deus, o Autor da vida e da salvação eterna, para que possamos ser salvos de todo o mal, através Dele, e possamos seguir todo o bem Nele (Salmos 37:5; Isaías 10:20; Jeremias 17:7). A fé dá as boas vindas para uma doce troca de pecados por justiça, onde um homem pecador é considerado como justo, em Cristo, tendo Cristo se tornado pecado por ele (Romanos 3:21-26). A fé, então, segue com evidência externas de si mesma, que normalmente são chamadas de “boas obras”.

A fé é composta de dois princípios distintos, mas inseparáveis: um ato de compreensão e um ato de vontade. Primeiro, a fé envolve um ato de compreensão, onde a mente entre em concordância com as evidências. Isto é um conhecimento das declarações, na Escritura, referentes ao evangelho de Cristo (1 Coríntios 1:23; 2:2; 2 Coríntios 5:19). Contudo, a mensagem propriamente dita não é o objeto da fé (João 20:31). O verdadeiro objeto da fé é a Pessoa em quem a fé está localizada – isto é, o próprio Deus, através de Jesus Cristo (1 Timóteo 4:10). Os homens não creem apenas “acerca” de Deus, mas “em” Deus. Além disso, Deus é o objeto de fé definitivo, enquanto Cristo é o objeto de fé mediador (Romanos 6:11; 2 Coríntios 3:4; 1 Pedro 1:21). Isto significa que a fé verdadeira e salvífica é uma compreensão situada em Deus, através de Jesus Cristo.

No entanto, a simples fé em Deus, através de Cristo, divorciada de um ato de vontade, não é uma fé salvadora (João 7:17; 8:31,32; 1 João 2:3). Este ato de vontade é o segundo aspecto necessário da fé salvífica. Não sendo apenas um mero ato do intelecto, o exercício da fé envolve um ato de escolha, considerando o homem inteiro. A fé é uma decisão ou uma resolução determinada. É uma genuína mudança da vontade, partindo da confiança em si mesmo para a dependência em Deus. Isto implica em uma entrega ou rendição por um consentimento da vontade (João 6:35). Portanto, crer em Deus, por meio de Cristo, é apegar-se a Deus, inclinar-se para Deus, e descansar em Deus como todo suficiente para a vida e a salvação (Deuteronômio 30:20; Salmos 37:3-5; 62:7; Provérbios 3:5; Isaías 10:20; 31:1; 50:10; Romanos 10:11).

A fé é um genuíno recebimento (João 1:12) – uma verdadeira dependência de Deus (Provérbios 3:5). Deste modo, a fé não é incerta ou duvidosa, ou somente o resultado de um conhecimento humano imperfeito de um testemunho. Embora o testemunho da Escritura é verdadeiro em si mesmo (João 9:29; Romanos 3:4; 1 Coríntios 2:5; 2 Pedro 1:20-21), a fé é mais confirmada porque ela se une à Pessoa de Deus. Aquele que é infalível confere infalibilidade à própria fé verdadeira e salvífica. A fé se apodera do poder do completo Deus triuno na salvação (Marcos 11:23; Lucas 17:6; Romanos 1:16-17). Infelizmente, devido às inclinações imperfeitas do homem, a certeza da fé verdadeira frequentemente se encontra debilitada. Isto é o porquê do homem supor que a segurança da sua fé é questionável — e o porquê dele precisar de uma persuasão interna e de um fortalecimento na fé, por meio do Espírito Santo (1 Coríntios 12:3; cf. Marcos 9:24). Todavia, a fé verdadeira, seja uma confiança débil ou uma forte convicção, é fé “em” Deus — e é aí que reside a garantia (cf. Mateus 9:21; Hebreus 11). Portanto, a fé une tão certamente o homem a Deus, em Cristo, que ninguém pode removê-lo ou separá-lo de Deus (João 10:28-29; Romanos 8:35-39).

Além disso, porém, concordância intelectual geral e confiança sem qualquer vida não é fé salvadora (Tiago 2:24). A fé é um consentimento baseado no conhecimento pelo qual o homem vive para Deus, em Cristo. A fé acarreta a declaração de que Deus é o nosso Deus, em Cristo; isto é conhecido como submissão ao Soberano. Enquanto isto é o primeiro ato pelo qual somos salvos por Deus, em Cristo, a fé invoca muitos atos resultantes de boas obras. A fé traz consigo mesma o “viver para Deus” no homem. A partir da fonte da fé, fluem decisões sinceras para uma vida de obediência. Mais ainda, como a fé em Deus garante uma santidade progressiva – tanto uma separação em relação aos pecados, quanto um apego à justiça – o teste da fé verdadeira e salvífica é resumido desta forma: “a fé que salva é a fé que atua”.

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Adaptado à partir da obra “The Marrow of Theology, 1.3”, de William Ames (1576–1633).

​Trigésimo sexto artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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