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A Perseverança dos Santos » Joel Beeke



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A DOUTRINA DA ELEIÇÃO — A PERSEVERANÇA DOS SANTOS

No contexto do Antigo Testamento, nenhuma promessa de Deus é mais surpreendente do que aquela registrada em Jeremias 32:40: “... não deixarei de lhes fazer o bem... nunca se apartem de mim”. Como resumido nos Salmos 78 e 106, a história de Israel revela que eles se afastaram do Deus vivo, desviando-se para os ídolos e caindo em grave pecado, e então Ele se afastou deles em Sua ira, até que eles se arrependessem e clamassem a Ele, em sua miséria.

Jeremias deve ter se alegrado em ouvir acerca de um dia em que este ciclo sem fim de infidelidade humana e castigo divino iria dar lugar a um relacionamento diferente entre Deus e o Seu povo, na forma de uma nova e eterna aliança. A lei, esculpida em tábuas de pedra, seria escrita na próprio coração de cada uma das pessoas do seu povo, e todos iriam conhecer o Senhor e ser perdoados, restaurados, e renovados por Sua graça. Deus iria, então, continuar a perseverar com o Seu povo, e o Seu povo com Ele.

Esta promessa incorpora a doutrina da perseverança dos santos. Mas quem são os santos? Por que eles continuam, ou perseveram, como santos? Em que coisas eles perseveram?

É muito importante definir o que significa “santos”. Na igreja pré-Reforma (e na Igreja Católica Romana, nos dias de hoje), um santo foi definido como “alguém cuja santidade de vida e virtude heroica foi confirmado e reconhecido pelo processo oficial de beatificação e canonização da igreja” (Dicionário Católico). Embora falecidos, eles são lembrados, venerados, e invocados em cultos públicos e em devocionais privados, como se pudessem ouvir e responder a orações.

Nesta visão, os santos foram excepcionais, em meio a membresia da igreja. Eles foram melhores do que precisavam ser, e fizeram mais do que o dever requeria, portanto eles adquiriram um estoque de mérito, de tal forma que poderiam usar este mérito excedente para ajudar os Cristãos menos santos ou menos virtuosos. Portanto, a estes santos são concedidos dias festivos e santuários, que preenchem um lugar substancial na devoção por parte daqueles que os envocam.

Nada pode ser mais contrário à ideia de santidade. De forma bem simples, todos os Cristão são santos. Eles foram santificados, ou separados à parte por Deus, como o Seu povo. A santidade Bíblica não depende do que nós fazemos, mas depende do que Deus faz em nós, através da Sua Palavra e do Seu Santo Espírito.

Deus Pai fez uma aliança eterna de graça conosco, e nos adotou como Seus filhos e herdeiros. Deus Filho nos purificou em Seu sangue, de todos os nossos pecados, e nos incorporou em Sua morte e ressurreição. Deus, Espírito Santo, habita em nós, nos santifica para sermos membros de Cristo, e aplica a nós o que temos em Cristo, a saber, o lavar dos nossos pecados e a renovação diária das nossas vidas. Tal é a porção para todos aqueles que pertencem a Cristo, e se juntam a Ele por meio de uma fé verdadeira.

Como tais, todos os crentes são “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação” (1 Pedro 1:5). Deus persevera conosco, e, portanto, nós perseveramos com Ele. A soberania de Deus significa que o que Ele faz, continua feito. Nós estamos salvos em Suas mãos, debaixo da Sua proteção, invocando-o, e repousando em Seu amor.

Em que nós perseveramos? Nós perseveramos em fé, crendo em Deus, confiando em Sua Palavra, e aguardando em Suas promessas; no arrependimento dos pecados; na negação de si mesmos e seguindo a Cristo, lutando por santidade de vida; e buscando conhecer a vontade de Deus e fazer aquilo que O agrada. Tais são os frutos que acompanham a fé justificadora. É um sinal perturbador quando estes frutos estão faltando em um Cristão professo. Cristo adverte sobre a fé temporária (Mateus 13:18-22); Paulo denuncia aqueles que “tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2 Timóteo 3:5); e Tiago declara que “a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tiago 2:17). Portanto, Paulo nos exorta: “examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos” (2 Coríntios 13:5).

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​Quadragésimo quinto artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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