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Copa do Mundo e o Dia do Senhor: como um presbiteriano deveria proceder?

  • Foto do escritor: Os Puritanos
    Os Puritanos
  • 5 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de jul.

Copa do Mundo e o Dia do Senhor: como um presbiteriano deveria proceder?


Torcedor no conforto do lar assistindo ao jogo da seleção nacional, vibrando com o gol
Torcedor no conforto do lar assistindo ao jogo da seleção nacional, vibrando com o gol

Como um membro da Igreja Presbiteriana do Brasil deveria proceder para participar e desfrutar dos jogos da Copa do Mundo? Seria suficiente mudar o horário do culto — algo que muitos consideram uma questão adiafórica — ou deveríamos guardar o Shabbath conforme explicitado nos Padrões de Fé de Westminster, que ensinam que devemos nos abster de recreações seculares no Dia do Senhor?


Lembro-me do saudoso Pr. Heinz Neumann, uma das mentes mais brilhantes e respeitadas do Seminário Presbiteriano do Norte e meu professor na Escola Dominical da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife. Certa vez, ele perguntou à classe:


"Quem aqui vai ao estádio assistir ao seu time jogar no Dia do Senhor?"


Todos permaneceram em silêncio.


Então reformulou a pergunta:


"Muito bem... então quantos assistem ao jogo em casa, pela televisão?"


Alguns coraram de vergonha.


A forma simples e honesta como a questão foi colocada revela que o problema não é meramente prático, mas de consciência diante de Deus. Dentro de uma perspectiva presbiteriana confessional, fundamentada nos Padrões de Westminster, a resposta tende a ser mais direta do que muitos gostariam.


1. O ponto central não é o horário, mas o princípio


Precisamos compreender isso com clareza. Se entendemos que o Dia do Senhor deve ser santificado como um santo repouso (Breve Catecismo de Westminster, pergunta 60) e que devemos evitar ocupações e recreações seculares (Catecismo Maior de Westminster, pergunta 119), então o problema não consiste simplesmente em mudar o horário do culto para que ele não coincida com a partida.


Alterar o horário pode eliminar um conflito de agenda, mas não resolve a questão central: a santificação do Dia do Senhor segundo o quarto mandamento.


2. O peso do compromisso público assumido com a Igreja de Cristo


Há outro aspecto frequentemente negligenciado.


Quando fazemos pública profissão de fé, prometemos sujeitar-nos ao governo e à disciplina da Igreja, bem como às autoridades por ela constituídas para nosso ensino e direção, enquanto permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras.


Esses oficiais, por sua vez, assumiram votos solenes diante de Deus e da Igreja, declarando receber a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como fiel exposição do sistema de doutrina ensinado nas Escrituras.


Assim, existe uma relação natural entre os votos dos oficiais e a vida dos membros. Presbíteros docentes e regentes comprometeram-se a ensinar e governar segundo esses padrões; os membros comprometeram-se a submeter-se a esse governo espiritual.


Em outras palavras, um presbiteriano que fez profissão de fé promete obediência aos oficiais da Igreja; estes, por sua vez, prometeram fidelidade aos Padrões de Westminster. Trata-se de um compromisso sério, solene e público.


Dessa forma, a pergunta deixa de ser:


"Podemos mudar o horário do culto para assistir ao jogo?"


e passa a ser:


"Como posso permanecer fiel ao que confessei crer e prometi viver?"


3. As duas coerências possíveis


Na prática, observam-se duas posturas coerentes, embora não equivalentes.


a) A coerência confessional clássica


Consiste em guardar todo o Dia do Senhor como santo, participar dos cultos independentemente do horário e abster-se de jogos, entretenimentos e demais recreações seculares, ainda que sejam lícitos nos demais dias da semana.


Por essa razão, muitos presbiterianos confessionais têm procurado resgatar a doutrina histórica do Shabbath cristão. Essa interpretação corresponde à leitura mais direta dos Padrões de Westminster e à compreensão histórica do presbiterianismo clássico.


b) A coerência revisionista


Hoje mais difundida, essa posição afirma que o princípio do quarto mandamento permanece, mas entende que sua aplicação é mais flexível, considerando que muitas das restrições ligadas ao Shabbath pertenciam especificamente à antiga dispensação judaica.

Assim, considera lícito assistir a jogos, praticar determinadas formas de lazer e até realizar alguns assuntos particulares fora do horário do culto.


Entretanto, é importante reconhecer, com honestidade intelectual, que essa interpretação representa uma releitura dos Padrões de Westminster, e não sua leitura histórica ou mais natural.


4. O ponto mais importante: uma consciência informada


Em última análise, a questão não se resume ao que é permitido em termos gerais, mas ao que uma consciência devidamente instruída pela Palavra de Deus reconhece como correto.

O cristão não deve perguntar apenas:


"O que posso fazer?"


Mas, sobretudo:


"O que melhor expressa fidelidade ao Senhor e aos compromissos que assumi diante dele?"


5. Em termos bem diretos


Se desejamos agir como presbiterianos estritamente confessionais, segundo a compreensão expressa nos Padrões de Westminster, não deveríamos assistir aos jogos da Copa do Mundo no Dia do Senhor, ainda que o horário do culto fosse alterado.

Isso porque o compromisso não é apenas com a participação no culto público, mas com a santificação de todo o Dia do Senhor.


"Lembra-te do dia de sábado, para o santificar." (Êxodo 20.8)

 Presb. Manoel Canuto. Coordenador do Projeto Os Puritanos


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SOBRE OS PURITANOS

 

O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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