O Perigo da Incredulidade e o Engano do Pecado
- Os Puritanos

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A Confiança Contínua no Senhor

O Perigo da Incredulidade e o Engano do Pecado
Uma das maiores lutas da vida cristã é a manutenção da fé e da confiança contínua no Senhor. Enquanto peregrinamos nesta terra, somos constantemente tentados e frequentemente enlaçados por falhas e esquecimentos que nos levam perigosamente para perto do abismo da incredulidade. Na profunda exposição de Hebreus 3:12-13, o reverendo Paulo Brasil nos alerta para o fato de que, se não mantivermos os nossos olhos fixos na pessoa e na obra de Cristo, facilmente entraremos em colapso espiritual. O autor sagrado dirige uma advertência solene não aos ímpios, mas à própria Igreja, revelando que o cuidado constante com o próprio coração e a exortação mútua são indispensáveis para não sermos destruídos pelas armadilhas do pecado.
O Perigo da Incredulidade e o Afastamento do Deus Vivo
Ao iniciar o versículo 12 clamando "Tende cuidado, irmãos", o autor da carta aos Hebreus reconhece que está falando com crentes professos, membros da família de Deus. O perigo iminente não é uma mera dúvida passageira, mas o desenvolvimento de um "perverso coração de incredulidade". Esse estado não reflete uma condição de quem nunca creu, mas o distanciamento terrível de quem professava a fé e agora se afasta. A conexão com o Salmo 95 é direta: assim como os israelitas no deserto viram as obras do Senhor por quarenta anos e ainda assim endureceram os seus corações provocando a Deus, a Igreja corre o mesmo risco de testar a graça divina.
Afastar-se do Deus vivo significa, inevitavelmente, voltar-se aos ídolos. Conforme os profetas Jeremias e o salmista no Salmo 115 declararam, os ídolos são mortos, mudos, impotentes e cegos. A idolatria contemporânea não se resume a curvar-se diante de estátuas; a sua essência é o abandono da verdade revelada sobre Deus em troca de uma mentira, passando a cultuar e servir a criatura e as paixões humanas no lugar do Criador. Deixar o Deus vivo é, portanto, desligar-se da própria fonte de esperança e de vida.
O Engano do Pecado e as Falsas Motivações
A incredulidade encontra morada na alma humana por meio do "engano do pecado". As Sagradas Escrituras evidenciam claramente como esse engano opera. No Evangelho de João 6, acompanhamos o momento em que a multidão abandonou a Cristo porque percebeu que Ele não estava ali apenas para lhes fornecer o pão físico, mas que Ele próprio era o Pão da Vida que desceu do céu. Semelhantemente, o profeta Malaquias, em seu capítulo 3, descreve um povo que cumpria as ordenanças divinas com a falsa motivação de colocar Deus em dívida para com eles, rebelando-se ao ver que os soberbos e ímpios prosperavam materialmente enquanto eles sofriam.
O grande reformador Martinho Lutero ensinava que o engano do pecado deve ser compreendido de forma profunda, englobando a nossa própria pretensa sabedoria e justiça. Não há nada que a natureza decaída ame mais do que os seus próprios propósitos e glórias. Quando usamos a religião para obter benefícios terrenos e, ao não recebê-los, consideramos que servir a Deus é inútil, provamos que fomos cegados. A fé genuína não se alegra na sua própria justiça ou nas recompensas temporais, mas repousa unicamente na justiça e sabedoria de Cristo Jesus.
A Urgência da Exortação Mútua no Dia Chamado "Hoje"
Para vencermos essa batalha, o Senhor nos providenciou meios de graça essenciais, destacando-se a comunidade pactual. O versículo 13 traz um imperativo vital: "exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje". A luta contra a apostasia não pode ser travada de forma isolada e autossuficiente. Nós somos membros do mesmo corpo e precisamos desesperadamente uns dos outros.
Infelizmente, muitos relacionamentos dentro das igrejas limitam-se a interações superficiais, nas quais não há zelo genuíno pela saúde espiritual e pelo coração do próximo. Assistimos passivamente enquanto irmãos são levados pelo engano do pecado. O mandamento é claro: devemos cuidar ativamente das almas ao nosso redor, reorientando e encorajando uns aos outros. Esse dever deve ser exercido durante o "Hoje", o dia da graça, antes que chegue o iminente e glorioso Dia do Senhor, quando o tempo da paciência de Deus se esgotará.
Conclusão
Devemos suplicar a Deus para não sermos enganados pela incredulidade e por falsas promessas de triunfalismo terreno. Isso foi brilhantemente ilustrado pelo Pr. Paulo Brasil na história de Dona Rita, uma irmã fiel que, acometida por um câncer incurável, suportou a dor e até mesmo as cruéis acusações de falsos mestres que diziam faltar-lhe fé para ser curada. O seu coração, contudo, já não pertencia a esse mundo. Em meio à proximidade da morte, a sua resposta glorificou o Deus vivo: ainda que o corpo perecesse, ninguém jamais poderia tirar a vida eterna que lhe foi garantida por Cristo. Que possamos abandonar as nossas justiças carnais, zelar atentamente pelo nosso próprio coração e exortar nossos irmãos diariamente. Que a nossa fé repouse apenas no nosso Supremo Pastor, prosseguindo com ousadia para a cidade celestial que nos aguarda.
O Perigo da Incredulidade e o Engano do Pecado. Este artigo é um resumo adaptado da pregação do Pr. Paulo Brasil sobre Hebreus 3:12-13, realizada na Igreja Presbiteriana da Aliança, Recife.
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