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Os Nomes de Deus » Joel Beeke



A DOUTRINA DE DEUS — OS NOMES DE DEUS

“Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável, em Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade, e verdade” (Breve Catecismo de Westminster, Questão 4). Consequentemente, Ele é incompreensível; o homem é incapaz de pensar sobre tudo o que Deus é. Desta forma, qualquer auto-revelação da parte de Deus, é um ato gracioso e condescendente de Deus para com a compreensão limitada do homem.

Os nomes (ou títulos) de Deus são alguns dos caminhos-chave por meio dos quais Deus revela a Si mesmo. Estes nomes são mais do que apenas rótulos ou etiquetas de identificação; eles são descrições proposicionais de alguns aspectos das Suas infinitas Pessoas. Consequentemente, eles não podem ser usados ao acaso (à esmo), e não devem ser desconsiderados durante a leitura das Escrituras.

Existem, de uma maneira geral, três categorias para os nomes de Deus: (1) proposicional, expressando algum fato pertinente à sua divindade, tais como “Deus Altíssimo” (Gênesis 14:18-22) e “Deus eterno” (Gênesis 21:33); (2) histórico, comemorando algum encontro com Deus (como Jeová Jireh, “o Senhor proverá” - Gênesis 22:14; ver também Gênesis 16:13; Êxodo 17:15); (3) pessoal, declarando alguma experiência individual (“o Deus de Abraão”, “o Deus de Isaque”, etc.).

Aqui está uma breve explicação de alguns nomes proposicionais comuns no Antigo Testamento:

Jeová. Este é o nome pessoal de Deus, especialmente ligado ao Seu pacto de graça e misericórdia. Derivado do verbo “Eu sou” (explicado no episódio da sarça ardente, encontrado em Êxodo 3), este nome declara a autossuficiente independência, eternidade e soberania de Deus. Ainda, de maneira extraordinária, Jeová é o principal nome de Deus usado em contextos de salvação. Embora Deus seja infinitamente independente de qualquer coisa fora de Si mesmo, Ele está disposto a ter comunhão íntima com o homem, particularmente através do pacto da graça. Jeová, portanto, é frequentemente considerado como o “nome pactual” de Deus. Na versão King James (KJV), este nome é sempre traduzido em letras maiúsculas como “SENHOR”, ou ocasionalmente como “DEUS”. [As versões em português, traduzidas por João Ferreira de Almeida - JFA, particularmente a versão Almeida Revista e Atualizada - ARA, também seguem este mesmo padrão, segundo as explicações encontras no prefácio escrito pela Sociedade Bíblica do Brasil – SBB, onde está escrito: “A palavra 'Senhor' sempre é escrita 'SENHOR', com letras maiúsculas, quando no texto original hebraico aparece o nome de Deus 'Javé' (Gênesis 2:4)”].

Deus. Este é o termo mais geral para a deidade. A palavra em hebraico pode estar tanto no singular (El), quanto no plural (Elohim). Ambas enfatizam a grandiosidade de Deus. Ele é “Todo-Poderoso”; Ele possui toda a autoridade; Ele é capaz realizar o que Lhe apraz. Este título também magnifica a transcendência de Deus; Ele é exaltado acima de toda a criação, incluindo o homem. A forma no plural significa a sua majestade ou excelência, que realça o Seu poder e grandiosidade, com ainda maior ênfase. De forma significativa, esta é a Sua primeira auto-revelação: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1, ver também Salmos 19:1). Ele é o Criador.

Senhor. O título Adonai descreve Deus como o Proprietário e Mestre supremo de tudo. Tudo pertence a Ele, e Ele governa tudo de acordo com os Seus próprios propósitos, para a Sua própria glória. Este nome declara a Sua absoluta soberania ou realeza. Reis terrenos vêm e vão, mas o Rei celestial reina, supremo, para sempre (Isaías 6:1). Todos os homens e todas as nações, quer tenham conhecimento Dele ou não, estão sujeitos à Sua autoridade e devem responder (se reportar) a Ele. Ele é o Soberano sobre toda a terra; todos irão se curvar diante Dele (2Reis 7:6; Salmos 110:5; Daniel 1:2; Amós 1:8). Na versão KJV, este título é traduzido como Senhor, para distinguir de Jeová, que é escrito como SENHOR.

Deus Todo-Poderoso. Apesar deste título ocorrer mais frequentemente no período patriarcal, especialmente no livro de Jó, ele não é limitado somente a este período. Em hebraico, significa El Shaddai. As opiniões diferem no que diz respeito à tradução, contudo é mais provável que o significado seja “o Deus que é suficiente”. Ele é completamente capaz de manter (ou cumprir) cada uma das palavras das Suas promessas, mesmo quando o cumprimento parece impossível. Nada é muito difícil para El Shaddai. Assim, mesmo que a perspectiva de uma grande nação descendente de Abraão pareça impossível, por trás da promessa está El Shaddai, e, portanto, ela é certa (Gênesis 17:1; 35:11-12).

Senhor dos Exércitos. Significa “Jeová dos exércitos”, uma expressão militar que identifica Deus como o “Comandante” que tem toda a autoridade e patente infinita para ordenar as Suas tropas a completar a Sua vontade. Este título ocorre mais frequentemente durante o período da monarquia (Samuel, Reis, Crônicas, Salmos, e os Profetas). Dependendo do contexto, o exército pode estar se referindo à Israel, aos anjos, aos corpos celestiais (estrelas e planetas), ou até mesmo à toda a criação. O ponto importante é que Deus tem o poder, a autoridade e os recursos ao Seu comando, para fazer e alcançar todos os Seus planos e propósitos. Não importa quão grande seja a promessa, ou quão séria seja a ameaça, o “Senhor dos Exércitos” estará no comando e irá concretizar. Note, por exemplo, que Zacarias usa esta expressão cerca de cinquenta vezes na sua profecia, para reforçar a certeza de cada uma das palavras do Senhor (ver também Isaías 6:1-4).

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Segundo artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização.

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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