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A Eternidade de Deus » Joel Beeke



A DOUTRINA DE DEUS — A ETERNIDADE DE DEUS

A palavra eternidade é facilmente pronunciada, mas dificilmente compreendida. Isto é devido, em parte, à efemeridade da natureza do homem, como uma criatura limitada ao tempo. A eternidade, estando em conflito com o tempo, é um atributo de Deus, que está muito além da mente humana. A eternidade é uma duração perpétua, não havendo nem começo nem fim; o tempo tem ambos (começo e fim). A eternidade e o tempo diferem muito, da mesma forma que o mar e os rios: o mar nunca muda de lugar e constitui sempre uma água, mas os rios fluem e são engolidos pelo mar. O mesmo o corre com o tempo em relação à eternidade.

Esta dificuldade de compreender a eternidade é aumentada porque este termo também é usado para descrever coisas que são apenas parcialmente perpétuas, e não propriamente eternas. O termo eternidade pode ser usado para descrever algo que tem uma longa duração, mas que possui um fim (Gênesis 17:8; Levítico 6:20; Deuteronômio 15:17), ou para algo que não tem fim, embora tenha tido um começo – como os anjos e as almas. No entanto, quando a palavra eternidade é usada para Deus, ela significa algo além; como as Escrituras atestam, “de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmos 90:2). Portanto, a palavra eternidade, neste sentido, refere-se à duração da essência de Deus. Quando Deus é denominado eterno, todas as possibilidades de começo e fim – qualquer fluxo e mudança – são excluídas. Consequentemente, a eternidade de Deus é melhor compreendida negativamente, como uma negação de que Deus tem qualquer medida de começo, fim ou sucessão.

Deus é sem começo, sendo o Deus eterno (Gênesis 21:33; Romanos 16:26; cf. Gênesis 1:1; Daniel 7:9). Isto é necessário, de acordo com a existência de Deus e Seu papel como Criador, pois, se Deus existe, e Ele não recebeu o Seu ser à partir de outro, então Ele deve existir desde a eternidade.

Deus é sem fim. Este aspecto se refere à imortalidade, sobre a qual a Escritura fala mais frequentemente do que os outros aspectos da eternidade de Deus. Ele deve permanecer para sempre (Salmos 9:7; Tiago 1:17; Apocalipse 4:9-10). Seus anos são incontáveis (Jó 36:26-27). Isto é evidente através do nome que Ele deu a Si mesmo (Êxodo 3:14) e através do fato de que Ele é vida em Sua própria essência (Daniel 6:26; João 5:26; cf. Atos 17:28; 1 Timóteo 6:16).

Deus é sem sucessão. Ele é sempre o mesmo (Salmos 102:27; Hebreus 1:10-12) e não tem nova progressão de quantidades ou qualidades em Si mesmo. De uma criatura, pode ser dito que “ele foi”, “ele é”, ou “ele será”, mas em relação a Deus, a única coisa que pode ser dita é “Ele é”. Não há acréscimo no Seu conhecimento (Atos 15:18) ou flutuações nos Seus decretos (Efésios 1:4). Não há nenhum cancelamento ou revogação de qualquer um dos Seus atributos. Além disso, se Deus não fosse eterno, todos os Seus outros atributos seriam mutilados e irreconhecíveis. Deus não seria imutável (cf. Jó 37:23; Malaquias 3:6), infinitamente perfeito (cf. Jó 11:7; Salmos 41:13), onipotente (cf. Isaías 2:22; Apocalipse 1:8), ou a causa primária de tudo.

A eternidade de Deus contém uma palavra tanto para o descrente quanto para o Cristão. Para o primeiro, a eternidade de Deus é um terror. Quanta loucura e ousadia há no pecado, uma vez que um Deus eterno é que está sendo ofendido! Todo pecado é agravado pela eternidade de Deus. A escuridão da idolatria pagã trocou a glória do Deus incorruptível pelas coisas contrárias à Sua natureza imortal (Romanos 1:23). É terrível estar sob o poder da indignação deste Deus eterno, que é o “Deus vivo e o Rei eterno… e as nações não podem suportar a sua indignação” (Jeremias 10:10). A eternidade de Deus torna a sua punição mais ameaçadora do que somente o Seu poder: o Seu poder torna a ameaça afiada, mas a Sua eternidade a torna perpétua – o durar para sempre é a aguilhão na ponta de cada chicoteada.

Contudo, para o Cristão, a realidade de que Deus “reina eternamente” (Lamentações 5:19-20) é a fonte de conforto. Paz é encontrada na comunhão com o eterno Deus misericordioso, bom, sábio e fiel. A Sua eternidade governa a Sua aliança com o Seu povo – portanto, Ele jura por Si mesmo (Hebreus 6:13,16,17; Apocalipse 14:6; cf. Apocalipse 4:3), e, portanto, o crente pode proclamar, “este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre” (Salmos 48:14), e “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração” (Salmos 90:1; cf. Gênesis 49:26). Além disso, a eternidade de Deus assegura que o desfrutar de Deus no Céu será tão novo e glorioso, mesmo depois de muitas eras, como se fosse a primeira vez.

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Quarto artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização.

Adaptado à partir da obra “A Discourse upon the Eternity of God”, contido em “The Existence and Atrributes of God”, de Stephen Charnock (1628–1680).

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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