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A Santidade de Deus e a Nossa » Joel Beeke



A DOUTRINA DE DEUS — A SANTIDADE DE DEUS E A NOSSA

Santidade, em ambas as línguas usadas na escritura, carrega a ideia definitiva de separação. Ambos os testamentos consistentemente enfatizam a ideia de ser separado, contudo, frequentemente há uma distinção nas suas ênfases. O Antigo Testamento frequentemente identifica a santidade no sentido físico, denotando uma limpeza exterior (Levítico 11:44-47). O Novo Testamento enfatiza a santidade no sentido espiritual, indicando pureza de coração e mãos (Romanos 12:1; 1 Pedro 2:5).

Através de toda a Escritura, pode-se observar uma ordem clara para o crente: “Sede santos, porque eu sou santo” (Levítico 19:2; 1 Pedro 1:16). Como os filhos se assemelham a seus pais, também os crentes devem parecer com o seu Deus (Efésios 4:24; 5:1; Filipenses 2:15; 1 João 5:18).

A santidade de Deus

Não há nenhum adjetivo mais prefixado ao nome de Deus do que santo. O livro de Isaías, carregado com proclamações de santidade, serve como um exemplo de como a Escritura expõe as riquezas da santidade de Deus: Deus é “o Santo” (“Holy One” ocorre vinte e seis vezes na versão KJV, em inglês), e os anjos clamavam “Santo!” três vezes (Isaías 6:3; cf. Apocalipse 4:8). A santidade de Deus é tida como a própria essência do Seu ser (Isaías 57:15). Quão majestosa – quão gloriosa – é a Sua santidade (Êxodo 15:11)!

Em primeiro lugar, Deus é santo em Sua separação em relação à toda a criação. Ele é completamente diferente. Isto significa que Ele é inteiramente distinto e separado de todo o resto: “A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? – diz o Santo” (Isaías 40:25). “Não há santo como o SENHOR” (1 Samuel 2:2; também Apocalipse 15:4).

Em segundo lugar, Deus é santo especificamente em Sua separação do pecado. Isto é expresso tanto de maneira negativa, quanto positiva: Ele é separado do pecado e para a justiça. Negativamente, Deus é absolutamente não poluído pelo mal. Na verdade, Ele não pode suportar a iniquidade (Habacuque 1:13); a Sua repugnância em relação à impiedade é infinita (Amós 5:21); e Sua ira se dirige àqueles que são os praticantes da iniquidade (Salmos 5:5). Ai daquele que se aproxima deste Santo sem as vestes sagradas de Cristo!

De maneira positiva, Deus é separado para a justiça (Salmos 145:17), que Ele ama (Salmos 11:7; Hebreus 1:9). Desta forma, Deus concede honra à Sua lei, pois esta é a substância da Sua santidade (Isaías 42:21). Esta santidade faz com que tudo se ofusque diante do brilho da sua luz. Sua santidade é Sua incomparável beleza (2 Crônicas 20:21; Salmos 29:2). Adicionalmente, a santidade de Deus é tão grande que, ao invés de aceitar um pecador, Ele matou Seu próprio Filho.

A nossa santidade

Embora não contenha nenhuma luz própria, o espelho subjuga os olhos quando reflete a luz do sol. Como crentes, somos chamados a brilhar com a santidade de Deus mais do que seremos capazes de durar nesta vida. Nós devemos ser preenchidos internamente em santidade, em nossos corações e mentes; e devemos transbordar externamente em santidade, alcançando todos os aspectos da vida. Santidade é, portanto, um compromisso para toda a vida, vivendo coram Deo. Levítico 20:26 torna claro que a santidade de Deus nos chama a sermos santos: “Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo”. Nós somos chamados para lutar por vidas santas (Hebreus 12:14), pois a santidade deve seguir, e seguirá a regeneração (Efésios 1:4; Filipenses 3:12). Santidade é o nosso jubiloso dever diante de Deus, como “filhos da obediência” (Neemias 8:10; 1 Pedro 1:14).

Descrevendo a santidade dos crentes, Stephen Charnock identificou o Pai como a fonte, o Filho como o modelo, e o Espírito como o impressor da santidade. O Pai é a fonte de santidade que nos santifica (João 17:11,17). Para limar a nossa imundícia, o Pai envia Cristo para remover a culpa do pecado e o Seu Espírito para remover a mácula do pecado (Efésios 1:4; Colossenses 1:22; 2 Timóteo 1:9). O Filho é o modelo para a nossa santidade, pois fomos feitos conforme a Sua imagem (Filipenses 2:5-8). Como Cristo é puro, também são aqueles que têm esperança Nele (1 João 3:3). O Espírito é aquele que nos estampa, carimba ou sela com a santidade de Deus. Ele transforma pecadores em santos, nos trazendo em submissão à Sua mente (1 Coríntios 2), e santificando-nos para perseguirmos as coisas do Espírito (Romanos 8:5).

Deus chama cada um de nós para andar em Sua santidade: “Dá-me, filho meu, o teu coração” (Provérbios 23:26). Esforcemo-nos, em Seu caminho, com toda a santidade de vida (1 Pedro 1:13-23).

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Oitavo artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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SOBRE OS PURITANOS

 

O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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