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A Fidelidade de Deus » Joel Beeke



A DOUTRINA DE DEUS — A FIDELIDADE DE DEUS

No levantamento das ruínas de Jerusalém, Jeremias está em sofrimento profundo. No entanto, ele vê evidência de que Deus preservou a verdade e o pacto para sempre, e não irá, de maneira nenhuma, abandonar as obras das Suas mãos. Um remanescente foi poupado. O profeta vê que Deus não rejeitou o Seu povo, nem se esqueceu de ser gracioso (cf. Salmos 77:5-9). Uma nova aurora despontou, e junto com ela, novas misericórdias para aqueles que esperam no Senhor.

A fidelidade de Deus é o desenrolar do Seu infinito, eterno, e imutável ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade, e verdade. Pode-se confiar no que Ele diz. O que Ele promete pode ser procurado e obtido posteriormente. Todas as suas obras são realizadas em sabedoria e em amor. Então, Davi exorta-nos a confiar “nele, ó povo, em todo tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio” (Salmos 62:8).

A verdade permanece no coração do conceito bíblico de fidelidade. Os Divinos de Westminster enraizaram a autoridade da Escritura em “… mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor...” (Confissão de Fé de Westminster, 1.4). Boa parte da Bíblia é a história que mostra que Deus preserva a Sua Palavra, abençoando quando ele promete abençoar, punindo quando Ele ameaça punir, enviando juízo sobre pessoas ímpias e perversas que não se arrependem, e salvando aqueles que clamam a Ele por salvação e vida. O ponto central desta história da fidelidade divina é a promessa de um Salvador (Gênesis 3:15), que foi confirmado pelos profetas e cumprido na vinda do Senhor Jesus Cristo (Lucas 1:54-55,68-75).

Nos tempos antigos, os deuses pagãos eram vistos como cheios de caprichos e egoístas. O favor deles, desta forma, tinha que ser cortejado com votos e sacrifícios de todos os tipos, e eles não eram confiáveis, uma vez que a sua própria conduta era descrita como amoral, ou até mesmo imoral. Eles seguiam as concupiscências de seus próprios corações; cometiam crimes atrozes de assassinato, adultério, e estupro; escolhiam favoritos entre os filhos de homens; e bradavam em uma raiva cega se os seus desejos eram frustrados. Eles eram grandemente temidos, mas não podiam ser amados ou dignos de confiança.

Moisés proclama uma visão radicalmente diferente de Deus, registrando os tratos fiéis de Deus com Abraão e sua semente, conforme Ele guarda o pacto através de muitas gerações. Ao invocar o mesmo registro de fidelidade divina, Malaquias proclama estas palavras de Deus: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Malaquias 3:6). A epístola aos Hebreus, de igual maneira, exalta “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hebreus 13:8).

Os cristãos erram no que diz respeito à fidelidade de Deus em, pelo menos, dois modos. Um deles ocorre ao tomarem as promessas de Deus como garantidas, como se nada fosse requerido de nós no pacto com Deus. Em todos os pactos existem duas partes: promessas do pacto e obrigações do pacto. Todas as promessas de Deus são feitas pela “fé que atua pelo amor” (Gálatas 5:6). Desta forma, Davi declara que “a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos, para com os que guardam a sua aliança e para com os que se lembram dos seus preceitos e os cumprem” (Salmos 103:17-18). Nós devemos nos apegar a este Deus e confiar Nele com todo o coração, a alma, a mente e a força, esquecendo-nos do mundo, crucificando a velha natureza, e andando na nova e piedosa vida (cf. “Formulário Reformado Holandês para a Administração do Batismo”).

O outro erro ocorre ao limitarmos a fidelidade de Deus apenas às coisas que nós vemos como positivas e benéficas. Isto significa menosprezar “a correção que vem do Senhor” (Hebreus 12:5-6). As cruzes que carregamos nesta vida não ocorrem por acaso, mas pela mão paterna de Deus (vv. 7-13). “Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra” (Salmos 34:19). Coisas ruins acontecem com pessoas boas, como parte do desígnio de Deus para aqueles que O amam e são chamados de acordo com o Seu propósito em Cristo, e nada pode separá-los do Seu amor (Romanos 8:28-29,38-39).

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Décimo primeiro artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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