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A Responsabilidade Humana » Joel Beeke



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A DOUTRINA DO PECADO — A RESPONSABILIDADE HUMANA

Desde que o evangelho foi pregado pela primeira vez no mundo, o homem tem se oposto, dizendo que Deus é injusto por requerer em Sua lei o que os homens não são capazes de fazer, pois como pecadores, eles são completamente incapazes de fazer qualquer coisa boa e são inclinados para toda a maldade e perversidade. De forma semelhante, o homem tem argumentado que se Deus é soberano na salvação, eles não podem ser culpados por sua falta de fé ou graça: “De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?” (Romanos 9:19). Em outras palavras, a falta de habilidade é mantida para implicar a falta de responsabilidade.

Ambas as linhas de argumentação são expostas como falsas quando o estado atual decaído do homem é contrastado com o seu estado original de conhecimento, santidade, liberdade, e comunhão com Deus, como o seu Criador. Como uma criatura feita à imagem de Deus, Adão conhecia e amava a Deus, e tinha o poder, a vontade, e a liberdade de fazer a vontade de Deus.

Adão jogou fora estas dádivas quando ele cedeu às mentiras e caiu em pecado. O seu conhecimento da verdade foi suplantado em injustiça ou iniquidade; o seu coração decaído se afastou de Deus; os propósitos e desejos do seu coração se tornaram apenas maus, continuamente; e a sua vontade foi escravizada pelo pecado (Gênesis 6:5).

Adão infligiu estas terríveis perdas para si mesmo e para a sua descendência. Contudo, tais perdas não o tornaram livre dos termos do pacto das obras, pelo qual ele estava obrigado a obedecer a lei de Deus, escrita no seu coração: “faze isto e viverás” (Lucas 10:28). Apesar de borrada e desfigurada pelo pecado, esta lei ainda continua escrita no coração humano nos dias de hoje, e todo homem está obrigado a obedecê-la, quer ele consiga ou não. Os teólogos, algumas vezes, falam de consciência, ou “a luz da natureza”, quando se referem a esta lei escrita no coração (Romanos 2:13-15).

Deus chamou Caim para prestar contas do seu pecado, ao matar o seu irmão, Abel (Gênesis 4:9-12). De acordo com o Seu rigoroso julgamento, Deus puniu o mundo descrente e não arrependido com o dilúvio, enquanto Ele salvou e protegeu, por grande misericórdia, o crente Noé e a sua família (Gênesis 7). Mais tarde, como o clamor de Sodoma e Gomorra se multiplicou, e o seu pecado se agravou muito, Deus destruir estas prósperas e orgulhosas cidades, fazendo chover enxofre e fogo (Gênesis 18:20; 19:24-25).

Todas estas punições foram infligidas por Deus sobre os seres humanos, muito tempo antes da lei ter sido concedida a Israel no Sinai. Contudo, como Paulo observa, “onde não há lei, também não há transgressão” (Romanos 4:15). O próprio fato de Deus punir a transgressão humana antes do Sinai, mesmo no alvorecer da história humana, implica que sempre existiu uma lei divina conhecida pela humanidade; portanto, todo homem está obrigado a obedecê-la, ou então enfrentar as consequências de não obedecer.

O próprio evangelho, como pregado por Cristo, vem até nós como um mandamento: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15; cf. Atos 17:30). Este evangelho imperativo está enraizado no fato de que o evangelho é, de fato, “boas novas” que o homem deve acreditar. Se as mentes dos homens não foram obscurecidas, os seus desejos não foram corrompidos, e as suas vontades não foram escravizadas, ele acreditariam. A culpa não é de Cristo ou do Seu evangelho, mas do homem que ama a escuridão e não virá para a luz (João 3:19).

Além disso, Cristo não deixa ninguém que escuta o evangelho sem acesso aos meios da graça. O evangelho precisa ser pregado para todas as nações, e portanto ninguém pode dizer que estas “boas novas” não foi direcionado para esta pessoa: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13). Aqueles que verdadeiramente conhecem a sua necessidade da graça, irão buscá-la em Deus, que é o único que pode concedê-la através dos meios que Ele tem designado: “aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). O caminho para Cristo e para a salvação está aberto para todos (João 6:37).

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Vigésimo artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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SOBRE OS PURITANOS

 

O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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