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O Arrependimento » Joel Beeke



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A DOUTRINA DA ELEIÇÃO — O ARREPENDIMENTO

O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus, através do qual um pecador é internamente humilhado e visivelmente reformado. Em Adão, todos sofreram naufrágio; o arrependimento é a única prancha ou tábua de salvação, na qual podemos nadar para o céu. É uma graça requerida no evangelho. O primeiro sermão que Cristo pregou – na verdade, a primeiríssima palavra do Seu sermão – foi “Arrependei-vos” (Mateus 4:17). Esta também foi Sua mensagem de despedida, que Ele ordenou que fosse proclamada em toda a terra (Lucas 24:47). O arrependimento foi o que os apóstolos saíram para pregar (Marcos 6:12). O próprio Deus ordena a todo ser humano, em todo lugar, que se arrependa (Mateus 3:2; Atos 3:19; 8:22; 17:30; cf. Hebreus 6:1).

Assim que a fé é operada pela primeira vez no coração, um arrependimento indubitável se mostra pela primeira vez na vida do Cristão. O arrependimento não é um terrorismo legal ou jurídico, pois pode haver terror de uma punição sem haver uma mudança de coração. Além disso, o arrependimento não é apenas uma resolução contra o pecado (Jeremias 2:20; cf. Apocalipse 6:8). O verdadeiro arrependimento pelos pecados está presente quando os atos de pecado cessam, por causa da infusão de um princípio de graça, através do Espírito, assim como se o ar deixasse de ser escuro, por causa de uma infusão de luz.

O arrependimento é um remédio espiritual, composto de seis ingredientes:

1. VISÃO DO PECADO

Primeiro, o arrependimento envolve uma “visão do pecado”, onde um ser humano acaba “caindo em si” (Lucas 15:17), e reconhecendo o que o seu pecado é e o que ele mesmo é diante de um Deus santo. Isto o faz clamar, como o profeta, “Ai de mim! Estou perdido!” (Isaías 6:5).

2. LAMENTO PELO PECADO

Em segundo lugar, o arrependimento consiste de “lamento pelo pecado”. Este é o amargurar da alma até o ponto em que é crucificado em pranto e tristeza (cf. Zacarias 12:10; Lucas 7:38). Tal pesar do coração transborda pelos olhos, através de lágrimas amargas de santa agonia (Esdras 9:3; Salmos 51:17; Isaías 22:12; Jeremias 31:19; Joel 2:13; Lucas 18:13). Nestas lágrimas, o pecado deve se afogar, ou a alma irá arder e queimar. Aqueles que pranteiam de uma maneira piedosa são confortados (Mateus 5:4; 2 Coríntios 7:9).

3. CONFISSÃO DE PECADO

Em terceiro lugar, o arrependimento inclui “confissão de pecado” (Neemias 9:2; Oséias 5:15). Esta confissão é autoacusatória (2 Samuel 24:17; cf. Neemias 9:33), voluntária (Lucas 15:18), compungida (Salmos 38:4), e sincera (Lucas 18:10-14), e inclui uma resolução de não pecar novamente (Provérbios 28:13; Isaías 1:16; Ezequiel 18:21). Esta confissão expurga o pecado e valoriza ou encarece a Cristo para a alma (Romanos 7:25). Deste modo, este é o caminho claro para o perdão (2 Samuel 12:13; 1 João 1:9).

4. VERGONHA PELO PECADO

Em quarto lugar, o arrependimento inclui “vergonha pelo pecado” (Ezequiel 43:10). Quando o coração se torna negro por causa do pecado, a graça torna a face avermelhada ou ruborizada (Esdras 9:6; cf. Lucas 15:21). Este embaraçamento santo é devido ao reconhecimento das muitas angústias do pecado, dentre elas a sua culpabilidade, o seu insulto a Cristo, e o seu poder corruptor, a sua insensatez, e a sua extensão.

5. ÓDIO PELO PECADO

Em quinto lugar, o arrependimento necessita de um “ódio pelo pecado” (Ezequiel 36:31). Um verdadeiro penitente é um abominador de pecados (Zacarias 3:4-5). Além disso, ele odeia não apenas um pecado, mas todos os pecados (Salmos 119:104); na verdade, ele despreza o pecado, em qualquer forma. Ele odeia o pecado não somente para o inferno, mas como o inferno.

6. ABANDONO PELO PECADO

Em sexto lugar, o arrependimento opera um “abandono do pecado”. Este abandono é de todos os pecados (Isaías 55:7), se convertendo completamente a Deus (Atos 26:20). Como um navio que, indo a leste, muda de direção a oeste pelo vento, um homem que, inclinado ao inferno, é mudado de direção pelo vento contrário do Espírito que começa a soprar nele, mudando o seu curso em direção ao arrependimento e o faz navegar em direção ao céu. Esta mudança de direção é chamada de um “abandono do pecado” (Isaías 55:7), um “lançar para longe” os pecados (Jó 11:14), e um “morrer para o pecado” (Romanos 6:2). Esta é uma mudança completa da alma: os olhos se convertem de olhares impuros, os ouvidos se afastam de calúnias e difamações, a língua se converte de linguagem ofensiva e ultrajante, as mãos se afastam de todo o mal, os pés se desviam do caminho da prostituição, e a alma se afasta do amor pela perversidade.

Não é possível remar para o paraíso, exceto através do regato de lágrimas do arrependimento. Quão seriamente Deus chama o homem a voltar-se para Ele? Ele jura, “Tão certo como eu vivo... não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos” (Ezequiel 33:11). Deus prefere as nossas lágrimas de arrependimento, no lugar do nosso sangue. Se nos voltarmos a Deus, Ele irá se voltar para nós (Zacarias 1:3); Ele irá afastar a Sua ira de nós e irá voltar a Sua face para nós. Assim, todas as coisas, tanto misericórdias quanto aflições, irão se converter para o nosso bem; nós iremos provar o mel com a ponta da vara (1 Samuel 14:43).

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Adaptado à partir da obra “The Doctrine of Repentance”, de Thomas Watson (1620–1686).

​Trigésimo nono artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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