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O Culto por Meio da Palavra



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A DOUTRINA DA IGREJA — O CULTO POR MEIO DA PALAVRA

O que é o culto? A menção mais antiga ao culto público é encontrada em Gênesis 4:26, nos dias de Sete e Enos: “daí se começou a invocar o nome do SENHOR”. O Salmo 100:2 nos exorta: “Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico”. Tiago exorta-nos: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros” (Tiago 4:8). O apóstolo Paulo também fala sobre se achegar a Deus, “pelo novo e vivo caminho” consagrado para nós na pessoa de Cristo crucificado, ressuscitado, e levado aos céus como o nosso Sumo Sacerdote (Hebreus 10:19-22). O próprio Senhor Jesus Cristo falou: “ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).

Que tipo de culto é aceitável a Deus? Esta questão percorre toda a Escritura, começando com os sacrifícios de Caim e Abel (Gênesis 4). A oferta de um homem é aceita, enquanto a de outro homem não é. Por quê? Como todas as boas obras, o culto verdadeiro precisa proceder da fé, e ser realizado de acordo com a lei de Deus, e para a Sua glória. Deus é cultuado quando e onde a Sua Palavra é crida, os Seus mandamentos são obedecidos, e a Sua glória é exaltada por criaturas racionais, nos céus e na terra.

A igreja do Antigo Testamento existiu em um mundo onde era muito comum o politeísmo, a idolatria, e formas de adoração inventadas pelo homem, que erram abominações à vista de Deus. O primeiro e o segundo mandamentos (Êxodo 20:3-6) abordam todos estes três pecados. Eles vinculam o povo de Deus para cultuá-lo de nenhuma outra forma, senão a que Ele ordena em Sua Palavra, proclamando o zelo de Deus por Seu culto e a Sua determinação em punir todos aqueles que se afastarem dele, enquanto mostra misericórdia àqueles que amam e obedecem a Ele. Deus infligiu uma morte em fogo ardente para Nadabe e Abiú, por eles terem oferecido “fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara” (Levítico 10:1-2); Hofni e Finéias foram mortos em batalha (1 Samuel 5:11), depois de terem corrompido o culto a Deus, explorando-o para os seus próprios propósitos (1 Samuel 2:17); mais tarde, o Senhor feriu Uzá, e ele morreu por seu erro ao tocar a arca da aliança (2 Samuel 6:7).

O último capítulo da Bíblia aborda o mesmo assunto. Em Apocalipse 22, João registra como, em um momento de descuido, ele caiu ao chão em adoração, aos pés de um anjo. Ele foi instantaneamente repreendido: “Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Apocalipse 22:9).

Estes exemplos tem muito a ensinar para os Cristãos nos dias de hoje. O culto não é um assunto de indiferença, tradição humana, ou gosto popular. Cristo resume e confirma o ensinamento do Antigo Testamento, declarando que “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Nós ainda estamos vinculados à lei de Deus, para seguir o modo aceitável de culto que Ele instituiu em Sua Palavra, e que é regulamentado por Seus mandamentos.

Debaixo da nova aliança, as cerimônias da lei cessaram, e uma forma mais simples de culto foi introduzida por Cristo e pelos apóstolos. Oração com ações de graças, a leitura das Escrituras, boa pregação sadia e o ouvir fiel da Palavra, o cântico dos Salmos, e a administração dos sacramentos de acordo com o mandamento e o exemplo de Cristo, são todas as partes do culto a Deus no evangelho.

A história mostra que tanto a igreja vetero, quanto a neotestamentária, têm sido propensas a corromper o verdadeiro culto a Deus com inovações humanas, oferecendo um culto formal a Deus, contudo retendo o amor do coração, ou ainda negligenciando o culto verdadeiro, dirigindo-se para deuses que não são deuses, ou adotando práticas que não tem garantia ou respaldo na Escritura. As décadas recentes viram a erupção das “guerras de cultos” em muitas igrejas, causando uma fenda entre tradicionalistas e inovadores. Muitas pessoas se sentem livres para fazer como lhes agrada. Erros e abusos irão ser abundantes, até que todos nós concordemos em julgar todas as coisas por meio da Palavra de Deus (1 Tessalonicenses 5:21).

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​Quadragésimo nono artigo da série "Grandes Doutrinas da Fé Cristã Reformada". Publicado com autorização

* The Reformation Heritage KJV Study Bible, Joel R. Beeke (editor geral), Reformation Heritage Books (RHB), Grand Rapids, Michigan, 2014, “List of In-Text Articles”. http://kjvstudybible.org

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SOBRE OS PURITANOS

 

O Projeto Os Puritanos é um ministério sem fins lucrativos, nascido há mais de 25 anos e comprometido com as Escrituras Sagradas e com a exposição sistemática das verdades bíblicas conhecidas como a fé Reformada. O próprio nome "Os Puritanos" sinaliza claramente que nossa teologia tem sido e continua a ser conformada aos documentos teológicos conhecidos como a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, em harmonia com os ricos tesouros dos credos e confissões da histórica tradição Reformada — as Três Formas de Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort).

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