Marcado, Selado e Entregue
- Os Puritanos

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Marcado, Selado e Entregue

Como o batismo, a Ceia do Senhor é um sacramento. Um sacramento não é, primordialmente, algo que fazemos para expressar nosso testemunho. Lamentavelmente, é assim que muitos crentes o entendem. A Bíblia, porém, ensina que um sacramento é, antes de tudo, uma declaração visível e tangível do próprio Deus dirigida a nós. Deus une o sacramento à sua Palavra com o propósito de reforçar a mensagem do evangelho. Ele é um sinal que simboliza o evangelho, tornando a Palavra "visível". É um selo que assegura aos crentes que é o próprio Deus quem garante suas promessas. É também um meio de graça por meio do qual Deus realmente comunica Jesus Cristo e seus benefícios aos seus eleitos, mediante o Espírito Santo e pela fé.
Para que, então, Deus deseja chamar nossa atenção por meio da Ceia do Senhor?
A morte de Cristo é crucial
Em primeiro lugar, por meio da Ceia do Senhor, Deus enfatiza que a morte de Cristo é essencial para a salvação.
No Cenáculo, Jesus instituiu uma nova ordenança para ser observada continuamente no culto público da igreja. Ele ordenou aos seus discípulos que a celebrassem repetidamente "em memória de mim".
Jesus disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós." Ele não estava se referindo ao seu corpo físico, com o qual havia convivido com eles. Antes, o pão simbolizava seu corpo prestes a ser entregue por eles na morte.
Em seguida, declarou: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vós." O vinho não representava simplesmente o sangue correndo em suas veias, mas o seu sangue prestes a ser derramado em sua morte sacrificial. Cada elemento da Ceia aponta para essa realidade. Antes de tudo, a Ceia do Senhor proclama o Cristo crucificado.
Sem a morte expiatória de Cristo, não há salvação. Se o sacrifício substitutivo de Cristo não ocupa o centro da nossa fé, então professamos uma fé diferente daquela anunciada por ele. Você se reconhece como um pecador culpado? Compreende que está completamente sem esperança, a não ser pela obra redentora de Jesus Cristo?
A morte de Cristo teve um propósito
Em segundo lugar, por meio da Ceia do Senhor, Jesus revela o propósito de sua morte.
Ao falar do cálice, Jesus menciona não apenas seu "sangue", mas também "a nova aliança". Ele afirma que seu "sangue da aliança" seria "derramado em favor de muitos, para remissão de pecados" (Mt 26.28). O que isso significa?
Logo após a Queda, Deus estabeleceu sua aliança da graça com Adão. Posteriormente, ao chamar Abraão, prometeu abençoar sua descendência e, por meio dela, todas as famílias da terra. No monte Sinai, Deus confirmou essa aliança com os descendentes de Abraão. Ele declarou ser o Deus deles, e eles seriam o seu povo. A aliança foi ratificada pelo sangue do sacrifício:
"Então Moisés tomou o sangue, aspergiu-o sobre o povo e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas estas palavras" (Êx 24.8).
Infelizmente, ao longo dos séculos, o povo de Deus mostrou-se repetidamente infiel à aliança. Ainda assim, por pura graça, Deus permaneceu fiel. Passo a passo, conduziu seu povo a olhar além do presente, para a futura consumação de suas promessas.
Foi então que anunciou, por intermédio do profeta Jeremias:
"Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá; não conforme a aliança que fiz com seus pais... Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel... Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo... Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei." (Jr 31.31–34)
No Cenáculo, Jesus estava, de fato, dizendo: "Deus está cumprindo agora a promessa da nova aliança. Finalmente, o perdão prometido está sendo concedido. E eu sou o sacrifício designado por Deus para ratificar essa aliança e assegurar esse perdão."
Nosso Senhor Jesus morreu para salvar pecadores como você e eu. Submeteu-se voluntariamente à cruz maldita para introduzir seu povo na comunhão da nova aliança com Deus.
Você reconhece Jesus como o caminho, a verdade e a vida, o único por meio de quem podemos chegar ao Pai?
Os benefícios da morte de Cristo devem ser recebidos pessoalmente
Em terceiro lugar, por meio da Ceia do Senhor, Deus mostra como Cristo aplica os benefícios de sua morte aos pecadores.
Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, explicou seu significado e o entregou aos discípulos. Eles o receberam e comeram. Depois tomou o cálice, deu graças, explicou seu significado e lhes entregou; eles o receberam e beberam.
Não basta contemplar o pão partido e o vinho derramado. É preciso tomar e comer; é preciso tomar e beber.
Percebe o significado?
A salvação não é sua apenas porque você conhece os fatos da morte e da ressurreição de Cristo. É necessário receber pessoalmente os benefícios de sua obra redentora. E isso acontece por meio da fé em Jesus Cristo.
A Ceia do Senhor é o sinal visível da realidade espiritual proclamada por Jesus após alimentar os cinco mil:
"Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida... Eu sou o pão vivo que desceu do céu... Se alguém dele comer, viverá eternamente... Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida." (Jo 6.47–55)
Tanto em sua pregação quanto na instituição da Ceia, Jesus insiste que entrega graciosamente a si mesmo aos pecadores e que cada pessoa deve receber, pela fé, os benefícios de sua obra salvadora.
É necessário conhecer os fatos da morte e da ressurreição de Cristo, mas isso, por si só, não basta. É preciso também dar assentimento a essas verdades, embora nem isso seja suficiente. Tampouco basta ser capaz de explicar, com eloquência, a doutrina da expiação substitutiva.
O Espírito Santo deve aplicar graciosamente Jesus Cristo ao pecador, para que ele experimente pessoalmente os benefícios da morte e da ressurreição do Salvador. E um dos meios de graça que o Espírito utiliza para comunicar essas bênçãos é justamente a Ceia do Senhor. A "boca" pela qual comemos a carne do Filho do Homem e bebemos o seu sangue é a fé — e até mesmo essa fé é um dom da soberana graça de Deus.
Cada vez que você vê a Ceia do Senhor sendo administrada, Deus o convida vividamente a receber Cristo, descansar somente nele, alimentar-se espiritualmente dele pela fé e perseverar nessa comunhão.
Ao mesmo tempo, cada vez que você participa corretamente da Ceia — pela fé — o Senhor comunica a você suas bênçãos e entrega a si mesmo em comunhão.
Como escreveu Robert Bruce (1554–1631), citado por Sinclair Ferguson:
"Nenhuma nova revelação é dada; nenhum outro Cristo é conhecido. Mas, embora não recebamos um Cristo diferente ou melhor na Ceia do que aquele recebido por meio da Palavra, podemos receber mais plenamente esse mesmo Cristo, à medida que o Espírito Santo ministra seu testemunho por meio dos sinais visíveis unidos à Palavra."
Por isso, o apóstolo Paulo pergunta:
"Porventura o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?" (1Co 10.16).
Marcado, selado e entregue.
Larry Wilson é pastor da Christ Covenant OPC, em Indianápolis, Indiana, Estados Unidos.
Reimpresso de New Horizons, junho de 2005.




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